O Reboot de

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Quando Wyinn ardeu por três dias e três noites, ninguém sobreviveu para contar a história —, apenas rumores, cinzas e silêncio. Dizem que foi o fim do Reino do Sol, consumido por chamas nascidas de dentro. Dizem que dois dragões cruzaram os céus naquela noite. E dizem, em sussurros, que duas crianças escaparam da ruína.Anos depois, enquanto o mundo tenta esquecer, forças antigas se movem mais uma vez. O sangue dos reis —, e dos dragões —, ainda pulsa.E em algum lugar entre desertos esquecidos, florestas que sussurram e cidades que escondem mais do que mostram, a verdade espera para ser desenterrada.Porque nem toda chama se apaga.Algumas apenas dormem.
O Reboot de

A Lua pairava alta no céu quando um grito cortou o silêncio do Palácio de Lähn.O som estridente do alarme logo se espalhou pelos corredores, arrancando servos do sono e arrastando soldados às pressas para seus postos. No meio do alvoroço, a Rainha irrompeu no Salão do Trono, seus costumeiros olhos gentis agora faiscando em fúria. Até os funcionários mais fiéis sentiram o instinto de fuga, mesmo sem culpa alguma.Dó mesmo deu da empregada, que, achando que a Rainha estava tendo um ataque de nervos, atreveu-se a acalmá-la com um chá. Não teve tempo nem de se arrepender —, num instante, a xícara cruzou o salão, espalhando líquido fervente sobre seu avental. Um grito sufocado, um tropeço, e ela desabou no chão com um baque seco.“Encontrem-no! Agora!”Seu comando reverberou como um trovão, sacudindo o Distrito Imperial e desencadeando uma tempestade de caos. Em minutos, a agitação se espalhou pelas favelas de Liam. Portas arrancadas das dobradiças, crianças choravam no escuro de suas casas precárias, e o silêncio da madrugada foi substituído pelo pavor de uma caçada implacável, que parecia não ter fim nem misericórdia.
No centro de tudo, a Rainha permanecia imóvel, os dedos crispados sobre o trono. O desaparecimento de suas joias não era apenas um ultraje, mas um desafio à sua autoridade. E quem quer que tivesse ousado afrontá-la aprenderia, antes do amanhecer, o preço da audácia.[...]
Longe dali, um rapaz despertava sobressaltado. A viagem o vencera novamente, e ele adormecera sem perceber. Por sorte, encontrava-se no vagão de feno da caravana —, um refúgio incômodo, porém acolhedor, para seu sono inquieto. — Com um suspiro, ele passou a mão pelos cabelos desalinhados e procurou pelo velho livro de capa grossa e folhas amareladas. O céu noturno já anunciava a aurora, e ele resolveu que não valeria a pena voltar a dormir. Apenas aguardaria mais um pouco.O rapaz chamava-se Arez e procurava por algo.